Investimentos: o que é cada um e como ele funciona
Renda fixa, LCI/LCA, Tesouro, FIIs, ações e ETFs explicados pelo que a regra diz — não pelo que o anúncio promete. Sem recomendação.
Comparação rápida: as regras de cada tipo
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| Tipo | O que é, em uma frase | Liquidez | Imposto de renda | Garantia | Risco principal |
|---|---|---|---|---|---|
| CDB | Empréstimo seu ao banco | Conforme o título (diária ou no vencimento) | Regressivo: 22,5% a 15% | FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição | Crédito do banco (coberto até o limite do FGC) |
| Tesouro Direto | Empréstimo ao governo federal | D+1 (venda antes do vencimento é a preço de mercado) | Regressivo: 22,5% a 15% | Não é FGC: é o Tesouro Nacional | Vender antes do vencimento e pegar preço pior |
| LCI / LCA | Empréstimo ao banco com lastro imobiliário ou agrícola | Costuma ter carência; muitas só no vencimento | Isento para pessoa física | FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição | Crédito do banco e liquidez baixa |
| Renda fixa prefixada | Taxa combinada antes, conhecida desde o começo | Depende do título | Regressivo: 22,5% a 15% | Depende do emissor | Perder para a inflação se a taxa travada for baixa |
| FIIs | Cota de fundo que investe em imóveis ou papéis do setor | Na bolsa, em horário de pregão | Rendimento isento (se o fundo tem ≥50 cotistas); venda com lucro: 20% | Não tem FGC | O preço da cota cai, e o rendimento varia |
| Ações | Menor pedaço de uma empresa | Na bolsa, em horário de pregão | Venda com lucro: 15% (isenção em vendas até R$ 20 mil no mês) | Não tem FGC | Você é sócio, não credor: pode perder parte ou tudo |
| ETFs | Cota de fundo negociado em bolsa, que segue um índice | Na bolsa, em horário de pregão | Venda com lucro: 15%, sem isenção mensal | Não tem FGC | Segue o índice: cai quando o índice cai |
Tabela de regras, não de produtos: diz o que a lei e o regulamento definem para cada tipo. Não há aqui indicação de onde investir. Regras mudam — a fonte oficial é o gov.br (Receita Federal), o Banco Central e o FGC, e os links estão em cada seção.
Renda fixa: o nome engana
Renda fixa quer dizer que a forma de calcular o rendimento está combinada antes — não que o resultado esteja garantido. Você empresta dinheiro para um banco ou para o governo e recebe juros por isso. O que muda entre um tipo e outro é quem deve, quanto paga, quando você pode tirar e quanto de imposto fica no caminho.
É a parte mais previsível da carteira e, ainda assim, tem duas armadilhas comuns: taxa que parece alta mas perde para a inflação e dinheiro preso quando você precisa dele. As duas se resolvem lendo a ficha do título antes de aplicar, não depois.
CDB
É um empréstimo seu para o banco. O banco usa o dinheiro e te devolve com juros. O rendimento costuma ser escrito como um percentual do CDI (por exemplo, "100% do CDI") ou como uma taxa fixa combinada.
Imposto: segue a tabela regressiva, e ela é generosa com quem fica: até 180 dias, 22,5%; de 181 a 360 dias, 20%; de 361 a 720 dias, 17,5%; acima de 720 dias, 15%. O imposto incide só sobre o rendimento — o valor aplicado volta inteiro. Há também IOF regressivo, que zera depois de 30 dias.
Garantia: o CDB é coberto pelo FGC, até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada período de quatro anos. Isso significa que espalhar entre bancos diferentes não é manha — é o que mantém cada parte coberta.
O que olhar: liquidez (tem ou só no vencimento?), % do CDI ou taxa fixa, prazo, e o que acontece se você precisar sair antes. Fonte oficial: fgc.org.br.
Tesouro Direto
Aqui quem deve é o governo federal. Três famílias resolvem quase tudo: o Tesouro Selic acompanha a taxa básica e costuma ter liquidez diária (o lugar natural do dinheiro que pode precisar); o Tesouro IPCA+ paga uma taxa fixa mais a inflação do período (o que preserva poder de compra); e o Tesouro Prefixado trava uma taxa desde a compra (você sabe exatamente quanto recebe se levar ao vencimento).
Imposto: mesma tabela regressiva da renda fixa. Taxa da B3: existe custódia cobrada pela B3 — a tabela vigente está no site do Tesouro Direto, e vale conferir, porque há faixas e isenções.
Atenção ao que importa: se você vender um título antes do vencimento, o preço é o do mercado naquele dia — e pode ser pior que o esperado quando os juros subiram no meio do caminho. Não é calote; é marcação a mercado. Fonte oficial: tesourodireto.com.br e gov.br/investidor.
LCI e LCA
Letra de Crédito Imobiliário e do Agronegócio. Também são empréstimo ao banco, mas com lastro em crédito imobiliário ou agrícola — e é esse detalhe que garante a parte mais conhecida dela: o rendimento é isento de Imposto de Renda para pessoa física.
Por isso uma LCI de 90% do CDI pode render mais, no líquido, que um CDB de 100% do CDI. É justamente aí que a comparação exige cuidado: compare sempre o líquido, e não a taxa anunciada.
O que pega: a liquidez costuma ser pior (muitas vezes só no vencimento, com carência), e o valor mínimo às vezes é alto. Sobre isenção: a medida provisória que tentou mudar isso perdeu vigência, então a isenção seguiu valendo para pessoa física — mas esse é um assunto que volta à pauta com frequência, e vale reconferir antes de decidir. Fonte oficial: bcb.gov.br.
FIIs
Fundo imobiliário: você compra cota de um fundo que tem imóveis ou papéis do setor, e recebe parte do que ele aluga e rende. A cota é negociada em bolsa, como uma ação — então tem preço que sobe e desce todos os dias.
Imposto: o rendimento distribuído é isento para pessoa física quando o fundo tem pelo menos 50 cotistas e o investidor tem menos de 10% das cotas. Já o ganho na venda da cota paga 20% — e aqui muita gente se confunde: FII não tem a isenção de R$ 20 mil por mês que existe para ações.
O risco real: o rendimento não é fixo (vem do que o fundo recebe) e a cota pode cair. FII não é renda fixa com nome bonito. Fonte oficial: b3.com.br e gov.br/investidor.
Ações
Ação é a menor parte de uma empresa. Comprando, você vira sócio: participa do lucro (dividendos) e da valorização — e também do prejuízo. Não há promessa de retorno, nem prazo, nem valor combinado.
Imposto: ganho na venda é 15%, com isenção para vendas até R$ 20 mil no mês em operações comuns. Dividendos: desde 2026, quando a empresa paga mais de R$ 50 mil no mês para o mesmo acionista, há retenção de 10% na fonte sobre o total pago — a isenção histórica deixou de valer acima desse limite.
O que separa quem sofre de quem não sofre: ações são dinheiro de longo prazo e de sobra, não de conta a pagar. E o preço de uma ação cai pela metade em pouco tempo sem que nada de errado tenha acontecido na sua vida.
ETFs
Um fundo negociado em bolsa que segue um índice — por exemplo, as maiores empresas da bolsa brasileira ou um índice do exterior. Você compra diversificação em uma cota só, pagando uma taxa de administração que costuma ser menor que a de fundo tradicional.
Imposto: ganho na venda é 15%, sem a isenção mensal de R$ 20 mil das ações. Risco: o que o índice faz, o ETF faz — inclusive cair inteiro quando o mercado cai. Não existe proteção por estar "diversificado".
O que ninguém pode prometer
Vale ter isto escrito, porque quase todo anúncio de investimento esbarra aqui:
- Rentabilidade garantida acima do CDI: não existe. Existe risco diferente, não retorno garantido.
- Prever o que a Selic ou a bolsa vão fazer: ninguém sabe. Quem diz que sabe, está vendendo algo.
- Que um produto bom para outra pessoa seja bom para você: depende do prazo, do objetivo e da reserva que você tem.
- Que taxa anunciada é taxa recebida: imposto, taxa de custódia e inflação entram na conta final.
- Que rendimento passado se repete: histórico é histórico.
O que dá para fazer sem promessa nenhuma: saber quanto você tem, quanto precisa de liquidez, por quanto tempo pode deixar parado, e conferir na fonte oficial o que cada título realmente paga. É menos emocionante e funciona melhor.
Perguntas frequentes
Qual é o investimento mais seguro do Brasil?
Em risco de crédito, o Tesouro Nacional é o emissor de menor risco do país, e o FGC cobre CDB, LCI, LCA e poupança até R$ 250 mil por CPF e instituição. "Mais seguro" não quer dizer "sem risco": existe risco de preço se você vender antes do vencimento e risco de inflação em qualquer aplicação que renda pouco.
LCI e LCA são isentas de Imposto de Renda em 2026?
Sim, para pessoa física, pela legislação vigente — a medida provisória que propôs mudar isso perdeu vigência. Como o assunto volta à pauta, confira a regra vigente no dia em que for aplicar.
FII rende todo mês?
A maioria distribui mensalmente, mas o valor varia: é o que o fundo recebeu, não um salário combinado. E a cota tem preço de mercado, que sobe e desce.
Vale a pena investir com pouco dinheiro?
Vale, pela ordem certa: primeiro uma reserva com liquidez para imprevisto (Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária), depois o resto. Investir antes de ter reserva é o jeito mais comum de precisar vender no pior momento.
Vocês recomendam onde investir?
Não. Não fazemos recomendação de investimento — nem por aqui, nem por e-mail. Explicamos como cada tipo funciona, com fonte oficial, para a decisão ser sua e informada. O que você não vai achar neste site é indicação de compra.